"Que te devolvam a alma homem do nosso tempo. Pede isso a Deus ou às coisas que acreditas: à terra, às águas, à noite desmedida. Uiva se quiseres, ao teu próprio ventre se é ele quem comanda a tua vida, não importa... Pede à mulher, àquela que foi noiva, à que se fez amiga. Abre a tua boca, ulula, pede à chuva. Ruge como se tivesses no peito uma enorme ferida, escancara a tua boca, regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA." (Hilda Hilst)

23/09/2009

Dulce Pontes canta como ninguém a alma de Portugal!!!



Dulce Pontes - O Primeiro Canto

O tambor a tocar sem parar, um lugar onde a gente se entrega, o suor do teu corpo a lavar a terra. O tambor a tocar sem parar, o batuque que o ar reverbera, o suor do teu rosto a lavrar a terra.

Logo de manhãzinha, subindo a ladeira já, já vai a caminho a Maria-Faia. Azinheiras de ardente paixão soltam folhas, suaves, na calma do teu fogo brilhando a escrever na alma. Estas fontes da nossa utopia são sementes, são rostos sem véus, o teu sonho profundo a espreitar dos céus!

Logo de manhãzinha, subindo a ladeira já, já vai a caminho a Maria-Faia, desenhando o peito moreno um raminho de hortelã, na frescura dos passos a eterna paz do Poeta. Uma pena ilumina o viver de outras penas de esperança perdida, o teu rosto sereno a cantar a vida. Mil promessas de amor verdadeiro vão bordando o teu manto guerreiro, hoje e sempre serás o primeiro canto!

Ai, o meu amor era um pastor, o meu amor, ai, ninguém lhe conheceu a dor. Ai, o meu amor era um pastor Lusitano, ai, que mais ninguém lhe faça dano. Ai, o meu amor era um pastor verdadeiro, ai, o meu amor foi o primeiro.

Estas fontes da nossa utopia são sementes, são rostos sem véus, o teu sonho profundo a espreitar dos céus! Mil promessas de amor verdadeiro vão bordando o teu manto guerreiro, hoje e sempre serás o primeiro canto!

(dedicado a José Afonso) Música: Dulce Pontes, Leonardo Amuedo / Letra: João Mendonça, Dulce Pontes, António Pinheiro da Silva Dulce Pontes - O Primeiro Canto Album : Primeiro Canto (1999)

18/09/2009

Tão grande, o mundo!






"Tão grande, o mundo!
Tão curta, a vida!
Os países tão distantes!
E alma.
E adeuses."

"Esta sou eu - a inúmera.
Que tem de ser pagã como as árvores
e, como um druida, mística.
Com a vocação de mar, e com seus símbolos.
Com o entendimento tácito, instintivo,
das raízes, das nuvens,
dos bichos e dos arroios caminheiros.
Andam arados, longe, em minha alma.
Andam os grandes navios obstinados."

(Cecília Meireles)



(fotos tiradas na casa de Pablo Neruda em Islas Negras - Chile)